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 Uma história em volta de Chiaki Shinichi, um perfeccionista estudante de regência, e Noda Megumi, uma estudante de piano que prefere tocar seguindo o seu coração ao invés da pauta.

Adaptação

Nodame Cantabile (manga)

Género

Comédia, Slice of Life, Musical

Número de episódios

11

Ano

2006

Elenco principal

Tamaki Hiroshi, Ueno Juri, Eita, Takenaka Naoto

                Lembro-me bastante bem de quando vi Nodame Cantabile pela primeira vez, há cerca de quatro anos. Foi o segundo jdrama que acompanhei, logo após Hanazakari no Kimitachi e me ter trazido para este mundo, e até hoje é o meu jdrama favorito, mesmo depois de ter visto imensos desde então. O que há, assim, de tão memorável nele?

(Review tanto quanto possível sem spoilers, mencionando
eventos chave apenas dos primeiros episódios.)

                Nodame Cantabile tem como pano de fundo uma escola superior de música cheia de aspirantes a músicos focados na música clássica, onde se encontram mãos familiarizadas com pianos, violinos, oboés, tímpanos; a música preenche todos os recantos do campus e arredores.

Chiaki Shinichi, interpretado por Tamaki Hiroshi.

                Um desses estudantes, Chiaki Shinichi, o melhor aluno da secção de piano dessa escola, acredita estar rodeado por incompetentes que assassinam, a pouco e pouco, as peças por que tem tanto apreço. Por ser um exímio perfeccionista, consegue rapidamente captar os erros das canções que ouve, perdendo fé nos seus colegas com cada nota desafinada.

Noda “Nodame” Megumi, interpretada por Ueno Juri.

                Noda “Nodame” Megumi, também uma estudante de piano, fá-lo por querer ser, no futuro, uma professora da primária. Com uma personalidade muito particular, Nodame não gosta de seguir a pauta rigorosamente, preferindo, ao invés disso, tocar de ouvido, acrescentando, inconscientemente, um pouco da sua criatividade pelo caminho.

O primeiro encontro de Chiaki e Nodame.

                Este par assimétrico mora lado a lado, sendo aí que se conhecem pela primeira vez. Nodame apaixona-se à primeira vista por Chiaki, que, por seu turno, fica muito menos impressionado com ela, dados os seus tiques e modos estranhos. Acaba, no entanto, por se ver a cuidar desta estranha rapariga, arrumando a sua casa, cozinhando para ela e, até, lavando-lhe o cabelo.

Mas, honestamente, já estava na hora.

                Apesar do seu perfeccionismo e arrogância, Chiaki admite que Nodame tem um modo de tocar que, apesar de fugir às notas e tempo certos, é agradável aos ouvidos e é, na verdade, algo brilhante e inovador. Apercebe-se disso quando o professor de piano de ambos os põe a tocar juntos e, após Chiaki fazer Nodame passar por longas horas de treino de modo a tocar mesmo de acordo com a pauta, vê-se, no fim, a deixá-la tocar espontaneamente, acompanhando-a no seu piano e criando uma bonita mescla.


                Sonata para dois pianos, de Wolfgang Amadeus Mozart.
(Tentem ignorar as legendas algo más.)

                Chiaki acaba por se aperceber que pode aprender bastante com Nodame, ao invés do inverso, como pensava a princípio e, a pouco e pouco, deixa de ser tão rígido para passar a apreciar a música em toda a sua integridade e beleza.

                Por esta altura, entra em cena Franz “Milch” von Stresemann, um maestro do estrangeiro que aparece na escola de Chiaki e Nodame com o intuito de formar uma nova orquestra, e Chiaki vê aí a oportunidade que há muito procurava. No fundo, sempre quis ser maestro desde pequeno e resolve ir atrás desse sonho como estudante de Stresemann.

Os estrangeiros aos olhos dos japoneses. É de referir que ele tem um sotaque absolutamente hilariante.

                Stresemann forma, assim, a S-Oke (diminutivo para Special Orchestra), onde junta todos os mais estranhos estudantes da escola, incluindo Mine Ryuutarou, que toca violino eléctrico, e Okayuma Masumi, um tocador de tímpano com uma afro e uma não tão pequena paixoneta por Chiaki. Chiaki fica incumbido, então, de ser o maestro de tão peculiar e desorganizada orquestra, onde crescerá não só musicalmente, como aprenderá de que são feitos os mais singelos acordes.

                Apesar de ter uma história que, à primeira vista, parece ser bastante séria e emotiva, Nodame Cantabile tem imensa comédia à mistura, fazendo lembrar muito um anime por várias vezes, uma vez que há personagens a cair, a ficar com a cabeça presa em portas e a levar com pautas em câmara lenta.

Provas.

                À partida, toda esta comédia poderia parecer exagerada ao lado de uma história sobre música clássica, mas a verdade é que funciona bastante bem, muito em parte por Nodame ser, desde o início, fora dos parâmetros da normalidade. Acabamos por ficar como Chiaki; espantados durante as primeiras vezes, mas já habituados nas restantes.  Num mesmo episódio podemos ver-nos a chorar de riso e, pouco depois, emocionados com uma peça clássica brilhante. Esta dualidade está, no entanto, bastante bem feita e fluida, e nunca senti que passava demasiado rápido de uma para outra.

                Sendo a música clássica o grande tema deste jdrama, não é de espantar que a banda sonora esteja simplesmente magnífica. Na verdade, não conhecia muito de música clássica antes de ter visto Nodame Cantabile, mas isso não fez com que gostasse menos dos longos minutos dedicados apenas à orquestra tocando uma qualquer peça monumental com uma fervorosa paixão. Não é preciso, de todo, ser-se apreciador deste género de música à partida. A série fará por esse gosto se desenvolver.

                É fácil perceber-se, assim, porque é que este jdrama é tão acarinhado pelo público, dadas as altas audiências e os prémios que arrecadou: tem um enredo cativante, bons actores que conseguem dar vida tanto a cenas cómicas como a algo mais sério, uma banda sonora recheada de peças clássicas soberbas e uma grande lição por trás: a vida não se resume a seguir-se sempre as regras. Há, por vezes, que as quebrar, e o som provocado por essa quebra pode acabar por ser o mais harmonioso de todos.

                Avaliação final: 10/10.